Apesar da resistência, deputados do RS aprovam em segundo turno fim do plebiscito para venda de estatais

Apesar da resistência dos trabalhadores das empresas públicas e das bancadas de oposição, o plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou, na tarde desta terça-feira (7), por 39 votos favoráveis e 13 contrários, a PEC 272/2019, do governador Eduardo Leite (PSDB), que retira da Constituição Estadual a exigência de plebiscito para a privatização da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e Companhia de Gás do Rio Grande do Sul (Sulgás).

A matéria já havia sido aprovada, em primeiro turno, na sessão de 23 de abril por 40 votos a 13. O único deputado que não votou a favor no segundo turno e apoiou a proposta no primeiro foi Adolfo Brito (PP), ausente em licença médica. Votaram contra os deputados do PT, PDT e PSOL.

“Enterraram o plebiscito porque se acham no direito de passar por cima da vontade da população. Agora, toda a nossa luta será centrada no combate aos projetos de privatização da CEEE, CRM e Sulgás que já estão prontos e em breve serão enviados pelo governo ao parlamento gaúcho”, afirmou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, que sentou na galeria ao lado dos funcionários para protestar contra os entreguistas do patrimônio público.

Fim do plebiscito contraria discurso de campanha do governador

A oposição criticou a proposta encaminhada pelo governador Eduardo Leite (PSDB), assinalando que ela marca uma postura antidemocrática no início do novo governo e contraria o discurso do governador na campanha eleitoral.

Para o líder da bancada do PT, deputado Luiz Fernando Mainardi, está claro que há uma intenção no governo ao impedir o plebiscito. “O que não pode ser defendido amplamente, em geral carece de legitimidade. Privatizar empresas que são estratégicas para o desenvolvimento, como as que produzem energia, é mais do que um erro, é uma defesa de interesses privados em detrimento dos interesses públicos. Por isso, querem tomar essa decisão longe do povo, sem plebiscito. É triste para a história gaúcha” disse.

A deputada Juliana Brizola (PDT) também lamentou a atitude do governador. Durante a campanha, frisou, Leite se apresentou como o candidato que iria dialogar com os servidores públicos, ao contrário de Sartori. “A maior parte das pessoas que optou por Leite acreditou que ele faria o plebiscito”, assinalou. Para ela, o governador perdeu uma grande chance de se consagrar como um governo da nova política, preferindo agir como a velha política.

A deputada Luciana Genro (PSOL) lamentou que a primeira vitória obtida pelo governo nesta legislatura seja uma ação para restringir a democracia e os espaços de participação popular que foram conquistados na Constituição Estadual por meio da emenda que estabeleceu o plebiscito como uma condição para a privatização de empresas públicas.

Além do fim do plebiscito, PEC autoriza monopólio privado

O deputado Jeferson Fernandes (PT) alertou que está “preocupado porque esta PEC não só elimina o plebiscito, mas também autoriza o monopólio da energia para a iniciativa privada. E a empresa que está aí distribuindo energia no interior é a principal candidata ao monopólio desses serviços. Tem centenas de reclamações de clientes e nenhuma sanção contra eles”.

O argumento do governo do estado de que as empresas públicas precisam ser vendidas para investir em saúde, educação e segurança pública foi rebatido pelo deputado Valdeci Oliveira (PT). Ele argumentou que um governo que perde R$ 30 milhões de financiamento para a educação – conquistado junto ao BIRD, ainda no governo Tarso Genro – não vai priorizar a educação. “Por que ter medo da opinião do povo?”, questionou.

O deputado Zé Nunes (PT) afirmou que o governo está fazendo um negócio que aumentará barbaramente o estoque da dívida do RS, passando de R$ 60 bilhões para R$ 90 bilhões. “Será um negócio muito pior do que o do Britto, responsável pelo maior endividamento do Estado. Na época, o discurso era o mesmo: que o Rio Grande do Sul resolveria seu problema financeiro e que as dificuldades na saúde, segurança e educação estariam resolvidos”. 

Fonte: FNU

Para ler a matéria na íntegra acesse o site da CUT-RS

Apesar da resistência dos trabalhadores das empresas públicas e das bancadas de oposição, o plenário da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul aprovou, na tarde desta terça-feira (7), por 39 votos favoráveis e 13 contrários, a PEC 272/2019, do governador Eduardo Leite (PSDB), que retira da Constituição Estadual a exigência de plebiscito para a privatização da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e Companhia de Gás do Rio Grande do Sul (Sulgás).

A matéria já havia sido aprovada, em primeiro turno, na sessão de 23 de abril por 40 votos a 13. O único deputado que não votou a favor no segundo turno e apoiou a proposta no primeiro foi Adolfo Brito (PP), ausente em licença médica. Votaram contra os deputados do PT, PDT e PSOL.

“Enterraram o plebiscito porque se acham no direito de passar por cima da vontade da população. Agora, toda a nossa luta será centrada no combate aos projetos de privatização da CEEE, CRM e Sulgás que já estão prontos e em breve serão enviados pelo governo ao parlamento gaúcho”, afirmou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, que sentou na galeria ao lado dos funcionários para protestar contra os entreguistas do patrimônio público.

Fim do plebiscito contraria discurso de campanha do governador

A oposição criticou a proposta encaminhada pelo governador Eduardo Leite (PSDB), assinalando que ela marca uma postura antidemocrática no início do novo governo e contraria o discurso do governador na campanha eleitoral.

Para o líder da bancada do PT, deputado Luiz Fernando Mainardi, está claro que há uma intenção no governo ao impedir o plebiscito. “O que não pode ser defendido amplamente, em geral carece de legitimidade. Privatizar empresas que são estratégicas para o desenvolvimento, como as que produzem energia, é mais do que um erro, é uma defesa de interesses privados em detrimento dos interesses públicos. Por isso, querem tomar essa decisão longe do povo, sem plebiscito. É triste para a história gaúcha” disse.

A deputada Juliana Brizola (PDT) também lamentou a atitude do governador. Durante a campanha, frisou, Leite se apresentou como o candidato que iria dialogar com os servidores públicos, ao contrário de Sartori. “A maior parte das pessoas que optou por Leite acreditou que ele faria o plebiscito”, assinalou. Para ela, o governador perdeu uma grande chance de se consagrar como um governo da nova política, preferindo agir como a velha política.

A deputada Luciana Genro (PSOL) lamentou que a primeira vitória obtida pelo governo nesta legislatura seja uma ação para restringir a democracia e os espaços de participação popular que foram conquistados na Constituição Estadual por meio da emenda que estabeleceu o plebiscito como uma condição para a privatização de empresas públicas.

Além do fim do plebiscito, PEC autoriza monopólio privado

O deputado Jeferson Fernandes (PT) alertou que está “preocupado porque esta PEC não só elimina o plebiscito, mas também autoriza o monopólio da energia para a iniciativa privada. E a empresa que está aí distribuindo energia no interior é a principal candidata ao monopólio desses serviços. Tem centenas de reclamações de clientes e nenhuma sanção contra eles”.

O argumento do governo do estado de que as empresas públicas precisam ser vendidas para investir em saúde, educação e segurança pública foi rebatido pelo deputado Valdeci Oliveira (PT). Ele argumentou que um governo que perde R$ 30 milhões de financiamento para a educação – conquistado junto ao BIRD, ainda no governo Tarso Genro – não vai priorizar a educação. “Por que ter medo da opinião do povo?”, questionou.

O deputado Zé Nunes (PT) afirmou que o governo está fazendo um negócio que aumentará barbaramente o estoque da dívida do RS, passando de R$ 60 bilhões para R$ 90 bilhões. “Será um negócio muito pior do que o do Britto, responsável pelo maior endividamento do Estado. Na época, o discurso era o mesmo: que o Rio Grande do Sul resolveria seu problema financeiro e que as dificuldades na saúde, segurança e educação estariam resolvidos”.

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