Movimento contra concessão da Cedae promoverá abraço ao prédio da companhia

Ação ocorre nessa quarta-feira, com participação de servidores, sindicatos e ONG

 

Servidores, sindicatos, ambientalistas e a população em geral vão realizar um abraço simbólico ao prédio da Cedae nesta quarta (24), a partir das 10h. A ação faz parte de um movimento contra a privatização da companhia. No início deste mês, o Governo do Estado lançou a minuta do edital de concessão da empresa para consulta pública. Batizado de “Cedae Pública e Forte”, o movimento conta com a adesão de cinco sindicatos, da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) e da ONG Baía Viva.

 

De acordo com o os organizadores, o “Cedae Pública e Forte” quer chamar a atenção da população para aspectos que não estariam devidamente esclarecidos para a opinião pública a respeito da companhia e das consequências de sua privatização. O movimento conta com uma página na internet , que reúne informações e recebe adesões.

 

Presidente da Comissão de Saneamento Ambiental da Alerj, o deputado estadual Gustavo Schmidt apoia o movimento. Ele lembra que a Cedae é lucrativa e afirma que a empresa tem condições de se manter pública e aumentar sua capacidade de fornecer serviços de qualidade para todo o Estado do Rio. A concessão para a iniciativa privada, de acordo com o parlamentar, impediria investimentos na ampliação da distribuição de água, coleta e tratamento de esgoto em regiões sem potencial de retorno financeiro.

“É preciso informar a população sobre algumas questões que têm de ser consideradas. Muita gente sequer sabe que a Cedae dá lucro. Outra questão é a de que existem diversas regiões carentes nas quais o serviço de água e esgoto jamais vai gerar retorno financeiro. No caso da privatização, não haverá interesse na realização de investimentos nessas comunidades”, afirma Gustavo Schmidt.

Outra questão levantada é a de que a Cedae conta com um número considerável de servidores concursados que estão há décadas na companhia e detêm grande conhecimento sobre o sistema de saneamento no Estado. Com a privatização, afirma Gustavo, haveria demissões e perda de capacidade técnica e operacional. Ele lembra que os recentes problemas de contaminação na água captada pela ETE Guandu se deram depois da demissão de dezenas de servidores experientes da companhia.

“Temos de lutar por mais investimentos na infraestrutura ambiental e na ampliação e modernização do sistema de distribuição de água e coleta de esgoto. A Cedae é lucrativa, conta com um quadro de servidores altamente qualificado e tem condições de investir seu lucro em prol da população, como empresa pública. É preciso que o valor que hoje encontra-se nos cofres da empresa seja disponibilizado para investimentos em saneamento, principalmente, nas áreas mais carentes. No caso de uma empresa privada, grande parte desse lucro iria para os acionistas”, diz Gustavo Schmidt.

Para o abraço simbólico no dia 24, o Movimento Cedae Pública e Forte solicita aos participantes que levem máscaras de proteção e álcool em gel para prevenção contra o novo corona vírus. Os organizadores informam que não haverá contato físico entre as pessoas, que devem manter um distanciamento mínimo de 1,5m entre si, de acordo com recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Abraço à Cedae conta com a participação da ONG Baía Viva, do Sindicato dos Engenheiros do Estado do Rio de Janeiro, da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), do Sindicato dos Administradores do Estado do Rio de Janeiro (Sinaerj), do Sindicato dos Trabalhadores em Saneamento e Meio Ambiente do Rio de Janeiro (Sintsama), do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Purificação e Distribuição de Água em Serviços de Esgotos de Niterói e Região (Sindágua) e do Sindicato dos Trabalhadores em Saneamento do Norte e Noroeste do Estado do Rio de Janeiro (Staecnon).

Serviço:

Abraço à Cedae / Dia: 24 de junho, quarta-feira / Hora: 10h / Local: Edifício Cedae (Avenida Presidente Vargas, 2.655 - Centro – Rio) / Realização: Movimento Cedae Pública e Forte

Fonte: Jornal do Brasil